Dedicado aos que amam com o furor de mil tempestades e recusam a mediocridade de definir a poesia.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
Escrevo como quem derruba migalhas
Enquanto anda:
Poemas são pistas
De um eu fugidio
Neles, registro o que
Só o tempo guarda;
A poesia me permite
Girar os ponteiros do relógio
Em sentido anti-horário
E me transporta dentro de mim
Eu quase posso tocar o momento.
domingo, 28 de junho de 2026
Eu aprendi que Na vida O doce sempre Vem com o amargo O choro e o riso O amor com a dor
Só conheço Alegria agridoce: Olhos de fogo em lava Que cospem Chispas de ódio Misturando-se Ao contentamento Que se manifesta Puro e cristalino
Eu reconheço Esse olhar que fuzila Quando a boca Não tem valentia pra falar Eu vejo do alto Os caminhos desencontrados Que cria Pra eu me perder
A teia grudenta Em que me enrosca Ah, dessa, eu vou me despindo Até distanciar Dessa tua aura bélica
Que eu não caio mais Nas arapucas do desafeto Nem queimo meus olhos Nos teus que incendeiam Por não lograr me aprisionar
Seu ódio que fale sozinho Que não aceito sua ameaça de guerra Eu falo o que é preciso Calo Sinto E não pretendo Me ocupar de justificar Ou discutir
Preservo o que de bom recebi - que nem foi de ti - Me concentro nisso Abraço com força Guardo num lugar secreto Dentro de mim Onde não pode roubar Com seu azedume, Seu egoísmo Com sua intransigência Arrogante
Que se faça de louco Que finja demência Que seja! Invente loucuras! Se consuma em delírios!
Maldita tua boca Que espumando me ofende Maldito teu olhar Quando tenta me cortar Com a fúria dilacerante Da tua covardia em não Ser Maldita tua gana De me moldar
Se inerte Se movimenta Se agitado Para Se ócio em demasia Se organiza Se cansado Contempla mais Se te parece tedioso Que tal ser curioso? Se te dói Sente profundo! Se barulho Silencia Se silêncio Canta Se pesado Dança! Se escuro Ora Se mágoa Presença Se solidão Ama Se martírio Sê feliz!