Eu aprendi que
Na vida
O doce sempre
Vem com o amargo
O choro e o riso
O amor com a dor
Só conheço
Alegria agridoce:
Olhos de fogo em lava
Que cospem
Chispas de ódio
Misturando-se
Ao contentamento
Que se manifesta
Puro e cristalino
Eu reconheço
Esse olhar que fuzila
Quando a boca
Não tem valentia pra falar
Eu vejo do alto
Os caminhos desencontrados
Que cria
Pra eu me perder
A teia grudenta
Em que me enrosca
Ah, dessa, eu vou me despindo
Até distanciar
Dessa tua aura bélica
Que eu não caio mais
Nas arapucas do desafeto
Nem queimo meus olhos
Nos teus que incendeiam
Por não lograr me aprisionar
Seu ódio que fale sozinho
Que não aceito sua ameaça
de guerra
Eu falo o que é preciso
Calo
Sinto
E não pretendo
Me ocupar de justificar
Ou discutir
Preservo o que de bom recebi
- que nem foi de ti -
Me concentro nisso
Abraço com força
Guardo num lugar secreto
Dentro de mim
Onde não pode roubar
Com seu azedume,
Seu egoísmo
Com sua intransigência
Arrogante
Que se faça de louco
Que finja demência
Que seja!
Invente loucuras!
Se consuma em delírios!
Maldita tua boca
Que espumando me ofende
Maldito teu olhar
Quando tenta me cortar
Com a fúria dilacerante
Da tua covardia em não Ser
Maldita tua gana
De me moldar
Que eu derramo
O mel
E o fel
E evaporo no ar.
domingo, 28 de junho de 2026
sábado, 23 de maio de 2026
Coexistem:
Dor e êxtase
Avançar rumo às
Mais longínquas galáxias
Espelhos colossais
Do desejo ardente
De vida!
Dançar entre chispas encantadas
No mistério do tempo
Etéreo sabor dos sonhos lúcidos
Sem você
É incompleto
Sangra pela fenda
Essa m'água
E eu espero
Um movimento seu
Eu rogo
Por seu perdão
E por seu arrependimento
Eu conjuro magias
Do centro do meu peito
Que elas te tragam
Salvo e São
E, então, juntos
Dançaremos
- O mar nos olhos
O amor de volta ao coração.
sexta-feira, 22 de maio de 2026
quarta-feira, 29 de abril de 2026
De tempos em tempos
O desespero desperta
E atormenta, acossa
A língua gelada em minha nuca
Os dentes afiados em minha boca
Delírios de morte
Até o sol sucumbe
O chão se abre
Em poços de sal e fel
As presenças cortam como lâminas afiadas
De quando em quando,
O desespero entra em estado dormente
Leva tempo pra respirar c'alma
Existir é apenas verbo transitivo
Onde nada é real
E tudo é torpe.
quinta-feira, 19 de março de 2026
quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
sábado, 22 de novembro de 2025
Sobre equilíbrio
O que te sobra
Te conta o que te falta:
Te conta o que te falta:
Se inerte
Se movimenta
Se agitado
Para
Se ócio em demasia
Se organiza
Se cansado
Contempla mais
Se te parece tedioso
Que tal ser curioso?
Se te dói
Sente profundo!
Se barulho
Silencia
Se silêncio
Canta
Se pesado
Dança!
Se escuro
Ora
Se mágoa
Presença
Se solidão
Ama
Se martírio
Sê feliz!
quinta-feira, 16 de outubro de 2025
A vida é tão bela
Quanto cruel
Um paradoxo em si
Uma ribanceira
Donde rolam
Os corpos
Das emoções
Do choro ao riso
Tudo é um tropeço
Que culmina
E dali desaba
Os lapsos do despertar
- Ah, esses todos querem!
O alívio desse jogo capcioso
Que devora corações
E mentes
Um único foco de luz
Em meio ao caleidoscópio
Caótico imanente.
segunda-feira, 4 de novembro de 2024
Negras lágrimas
Ancestrais
Como petróleo
Jorram sem me esforçar
Pelos canais abertos
Da desilusão
Negra desilusão!
Viscoso líquido
Que resvala
Das fendas
Donde dantes
Emanava apenas
Amor...
Meu peito queima
A cada golpe desferido
Meu ódio consome em chamas
Cada milésimo de segundo
Ao sacudir dessa dor
Que não se pode recordar
Por se fazer presente
Entretanto,
Ergo-me
Inflo-me
Sobre todos os cacos
Pisoteio
Este mal
Bebo este fel
Me refaço do caos
Eu sou o caos
Que só o amor entende.
sábado, 26 de outubro de 2024
terça-feira, 13 de agosto de 2024
Quando o que restar
For escuridão
Lembra que o oposto
É luz
Lembra que é dual
Busca um ritual
Uma prece
Um mantra
Canta!
Dança suas dores
Lança essa maldição
Para os quintos dos infernos
Quem és tu?
O que te move?
O que te fez sorrir?
Conecta
Fecha os olhos
Deixa vir
Essa luz
Esse calor
O amor
Esse bálsamo
Que seja hoje,
Este dia.
segunda-feira, 1 de julho de 2024
Celebrar a vida
até quando dói vivê-la
Se reconhecer forte e capaz
Ainda que as limitações gritem
Sobrepor a tristeza
Com a audácia de senti-la
Triturar a dor
Para adubar o que há de florescer
Estar aqui e agora é coragem
Ficar é escolha
Espaço é necessidade
Fluir é vital
O coração dispara,
Porque viver se faz urgente.
sábado, 4 de maio de 2024
Sobre inteireza
Agradeço pela troca
Sou quem sou
Porque trocas comigo
Sem essa ponte
Não jorra a fonte
Sem esse abraço
Não há conforto
Sem você
Eu não há.
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