Eu não tenho medo do escuro
Porque eu sou feita de escuridão
O negrume denso como petróleo
Que escorre do céu
Quando anoitece
É meu próprio ser
Embora eu quase sufoque
Pelo peso dessa pérfida soturna em
minh'alma.
É de farpa essa dor
Que atravessa a carne
Deslizo por cenas vertiginosas
Fragmentadas em meio ao caos
Enquanto a loucura perscruta minha mente
Já não sei mais se sou ela
Ou se ela sou eu em estado
De decadência.
Meus miolos rolam na ladeira das horas
Até que me deixo cair
Sobre a cama lamacenta das lamentações
Pouso minha cabeça no travesseiro
espinhoso do desespero
E sucumbo ao delírio febril
De que sou uma pobre alma penada
A noite me draga
E revela aquilo que o dia apaga
Entre raios ofuscantes e horas marcadas:
Dias que duram décadas e quase sempre são noites escuras.
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
sábado, 8 de agosto de 2026
sábado, 18 de julho de 2026
Tudo que sinto é muito forte
E me leva a escrever
sobre êxtase e morte
Subjetiva, abstrata, etérea
Sou onírica e tudo que me toma
E o que me leva
Vem do vento
E das profundezas das águas
De lama soturna
De pluma flutua
Imagens
Figuras
Tudo é ar
Tudo é pó
Escrevo o que sinto
Como quem deseja
Ardentemente
Corporificar
A dor e o amor.
A morada
A energia de um recomeço
Do vazio latente
De que do nada
Pode tudo engendrar
O despertar é como atravessar
Um véu de espelhos e cristais
Em prismas que dançam
Suspensos do alto infinito
Meus olhos fitam os seus,
Tão solares aflorados de vida
Por entre os primeiros raios de sol
De uma manhã fria
Suas mãos quentes
No meu rosto são meu lar
Nossos corações repousam
Na paz de um amor maduro
Enquanto nossos corpos
Modificados pelo tempo
Se ajustam com as bússolas
Da sabedoria
Não mais para viver mais um dia
- o que resta é único e sagrado -
Vivamos este instante.
Dedicado ao meu companheiro de vida, meu amor, Luciano Ernesto Lobato.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Meu peito aperta
Um golpe,
Um soco no estômago
Fui lançada em um labirinto
Caleidoscópico
Meus olhos marejados
Em vertigem
Os sons mudos
O tempo suspenso
Me reviro nessa orgia de sentimentos
- melhor remédio é um novo dia
Euforia!
Estranha energia...
Meu espanto é constatar
O formigamento que gira em espirais
Pelo ventre,
Afasta a letargia
Que será que se achega
Nessa tarde fria?
segunda-feira, 6 de julho de 2026
quarta-feira, 1 de julho de 2026
domingo, 28 de junho de 2026
Eu aprendi que
Na vida
O doce sempre
Vem com o amargo
O choro e o riso
O amor com a dor
Só conheço
Alegria agridoce:
Olhos de fogo em lava
Que cospem
Chispas de ódio
Misturando-se
Ao contentamento
Que se manifesta
Puro e cristalino
Eu reconheço
Esse olhar que fuzila
Quando a boca
Não tem valentia pra falar
Eu vejo do alto
Os caminhos desencontrados
Que cria
Pra eu me perder
A teia grudenta
Em que me enrosca
Ah, dessa, eu vou me despindo
Até distanciar
Dessa tua aura bélica
Que eu não caio mais
Nas arapucas do desafeto
Nem queimo meus olhos
Nos teus que incendeiam
Por não lograr me aprisionar
Seu ódio que fale sozinho
Que não aceito sua ameaça
de guerra
Eu falo o que é preciso
Calo
Sinto
E não pretendo
Me ocupar de justificar
Ou discutir
Preservo o que de bom recebi
- que nem foi de ti -
Me concentro nisso
Abraço com força
Guardo num lugar secreto
Dentro de mim
Onde não pode roubar
Com seu azedume,
Seu egoísmo
Com sua intransigência
Arrogante
Que se faça de louco
Que finja demência
Que seja!
Invente loucuras!
Se consuma em delírios!
Maldita tua boca
Que espumando me ofende
Maldito teu olhar
Quando tenta me cortar
Com a fúria dilacerante
Da tua covardia em não Ser
Maldita tua gana
De me moldar
Que eu derramo
O mel
E o fel
E evaporo no ar.
Na vida
O doce sempre
Vem com o amargo
O choro e o riso
O amor com a dor
Só conheço
Alegria agridoce:
Olhos de fogo em lava
Que cospem
Chispas de ódio
Misturando-se
Ao contentamento
Que se manifesta
Puro e cristalino
Eu reconheço
Esse olhar que fuzila
Quando a boca
Não tem valentia pra falar
Eu vejo do alto
Os caminhos desencontrados
Que cria
Pra eu me perder
A teia grudenta
Em que me enrosca
Ah, dessa, eu vou me despindo
Até distanciar
Dessa tua aura bélica
Que eu não caio mais
Nas arapucas do desafeto
Nem queimo meus olhos
Nos teus que incendeiam
Por não lograr me aprisionar
Seu ódio que fale sozinho
Que não aceito sua ameaça
de guerra
Eu falo o que é preciso
Calo
Sinto
E não pretendo
Me ocupar de justificar
Ou discutir
Preservo o que de bom recebi
- que nem foi de ti -
Me concentro nisso
Abraço com força
Guardo num lugar secreto
Dentro de mim
Onde não pode roubar
Com seu azedume,
Seu egoísmo
Com sua intransigência
Arrogante
Que se faça de louco
Que finja demência
Que seja!
Invente loucuras!
Se consuma em delírios!
Maldita tua boca
Que espumando me ofende
Maldito teu olhar
Quando tenta me cortar
Com a fúria dilacerante
Da tua covardia em não Ser
Maldita tua gana
De me moldar
Que eu derramo
O mel
E o fel
E evaporo no ar.
sábado, 23 de maio de 2026
Coexistem:
Dor e êxtase
Avançar rumo às
Mais longínquas galáxias
Espelhos colossais
Do desejo ardente
De vida!
Dançar entre chispas encantadas
No mistério do tempo
Etéreo sabor dos sonhos lúcidos
Sem você
É incompleto
Sangra pela fenda
Essa m'água
E eu espero
Um movimento seu
Eu rogo
Por seu perdão
E por seu arrependimento
Eu conjuro magias
Do centro do meu peito
Que elas te tragam
Salvo e São
E, então, juntos
Dançaremos
- O mar nos olhos
O amor de volta ao coração.
sexta-feira, 22 de maio de 2026
quarta-feira, 29 de abril de 2026
De tempos em tempos
O desespero desperta
E atormenta, acossa
A língua gelada em minha nuca
Os dentes afiados em minha boca
Delírios de morte
Até o sol sucumbe
O chão se abre
Em poços de sal e fel
As presenças cortam como lâminas afiadas
De quando em quando,
O desespero entra em estado dormente
Leva tempo pra respirar c'alma
Existir é apenas verbo transitivo
Onde nada é real
E tudo é torpe.
quinta-feira, 19 de março de 2026
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