domingo, 28 de junho de 2026

Eu aprendi que
Na vida
O doce sempre
Vem com o amargo
O choro e o riso
O amor com a dor

Só conheço
Alegria agridoce:
Olhos de fogo em lava
Que cospem
Chispas de ódio
Misturando-se
Ao contentamento
Que se manifesta
Puro e cristalino

Eu reconheço
Esse olhar que fuzila
Quando a boca
Não tem valentia pra falar
Eu vejo do alto
Os caminhos desencontrados
Que cria
Pra eu me perder

A teia grudenta
Em que me enrosca
Ah, dessa, eu vou me despindo
Até distanciar
Dessa tua aura bélica

Que eu não caio mais
Nas arapucas do desafeto
Nem queimo meus olhos
Nos teus que incendeiam
Por não lograr me aprisionar

Seu ódio que fale sozinho
Que não aceito sua ameaça
de guerra
Eu falo o que é preciso
Calo
Sinto
E não pretendo
Me ocupar de justificar
Ou discutir

Preservo o que de bom recebi
- que nem foi de ti -
Me concentro nisso
Abraço com força
Guardo num lugar secreto
Dentro de mim
Onde não pode roubar
Com seu azedume,
Seu egoísmo
Com sua intransigência
Arrogante

Que se faça de louco
Que finja demência
Que seja!
Invente loucuras!
Se consuma em delírios!

Maldita tua boca
Que espumando me ofende
Maldito teu olhar
Quando tenta me cortar
Com a fúria dilacerante
Da tua covardia em não Ser
Maldita tua gana
De me moldar

Que eu derramo
O mel
E o fel
E evaporo no ar.

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