Vinha cadenciando
pela beirinha da sarjeta
subindo a ladeira
com mais fé que vontade
o céu estava limpando para o sul
azul, varria os maus pensamentos
a um só tempo
a chuva foi presente
de Iemanjá
- que era dia dela -
um avião ao longe prometia
os desejos se espremiam todos
na porta do olhar
ela empurrava o portão fatigada,
- sabia estar aberto -
conferia a caixa de cartas
recolhia algumas contas
que não eram suas - ufa!
com os pés ainda molhados
entrava em casa e
num gesto automático
lavava as mãos com detergente
na pia da cozinha
sem cuidado.
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