quarta-feira, 28 de março de 2001

Eu ando à sombra do medo
Não olho para trás,
pois sei que as almas
me vigiam

Regresso ao meu quarto
e me encolho na cama 
para mais uma noite obscura
em que ouço a Morte pérfida
arranhar a minha porta

Adormeço ao som de seus gemidos
agudos e angustiados
e durante meu sono
sei que Ela deita-se ao meu lado
e sinto seus pés úmidos,
suas mãos tépidas me tocando

Ao acordar, todos os dias,
vejo a poça de sangue no assoalho
daquelas almas
que todas as noites
esfregam vorazmente
seus rostos no espelho,
solitárias,
chorando por um amor perdido.

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