Não olho para trás,
pois sei que as almas
me vigiam
Regresso ao meu quarto
e me encolho na cama
para mais uma noite obscura
em que ouço a Morte pérfida
arranhar a minha porta
Adormeço ao som de seus gemidos
agudos e angustiados
e durante meu sono
sei que Ela deita-se ao meu lado
e sinto seus pés úmidos,
suas mãos tépidas me tocando
Ao acordar, todos os dias,
vejo a poça de sangue no assoalho
daquelas almas
que todas as noites
esfregam vorazmente
seus rostos no espelho,
solitárias,
chorando por um amor perdido.
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