segunda-feira, 21 de agosto de 2023

A verdade
É que ando em frangalhos
Farrapos e fiapos

Fazendo das tripas
Coração 
Como dizem

A solidão 
Da experiência humana
Pode ser desoladora

Como as fibras da minha carne
Que se esfacela
Diante do inexorável tempo
Ou meus distintos desejos
Borrados pelas angústias
De agora

Há momentos em que
As palavras
Se tornam vazias
Nada dão conta
De exprimir
O horror
A dor
O cansaço...

Já não vivo;
Remendo a pele esgarçada 
Da minha vontade
Costuro um dia no outro
Bordados por intempéries
Alinhavados pela frágil linha
Da valentia

Meus brocados se arrebentam
Uma a uma,
Escorrem pelo chão
Todas as contas
- ou seriam meus planos de vida?

Sigo tecendo um lado
Enquanto desfaço outro.

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