terça-feira, 21 de julho de 2015

Apontamentos sobre a tristeza aguda

A vida é um paradoxo:
quando pensa que vive, está se perdendo na poeira do tempo
quando acha que morreu, um golpe de ar lhe açoita o peito
Tudo dói, mas não precisa ser assim
entre um e outro existe um vão
é preciso desacelerar para romper com as polaridades
e se descobrir parte de tudo.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Deixe que essa chuva limpe tudo:
a rua
o coração
a mente

Deixe que leve o que não serve
Deixe leve
Leve
Consigo essa canção das águas

Traz essa calma
- gota a gota -
que ao tocar o solo.
fomentará vida nova

segunda-feira, 29 de junho de 2015

1 minuto

O único destino em que
sem me mover chegarei:
meu centro.

Ah, mas quanta pressa tem alguém que nunca para
e passa a vida vendo a vida passar!

Shhh! Ouve...?
Do silêncio brota um som mudo
É o som que faz a flor ao desabrochar
É um eco no vão do tempo
Que retorna àquele que um dia o emitiu.

Esse ponto de equilíbrio
é uma harmonia indizível
- mesmo para os poetas...
Pois é preciso silenciar para vivenciar,
para viver!

E da superfície encrespada,
ondas revoltas,
Num mergulho se debate
Para em seguida se deixar afundar suavemente
Rumo ao fundo sereno e silencioso do oceano.

Um minuto de silêncio.

São como pílulas que tomamos
Para nos ajudar a vibrar na frequência de nosso ser.

Abençoa

Balança o maracá
pra balançar o coração

Deixa o vento passar
Enraíza na terra
Pr'ele não te levar

Solta esse canto pra voar
voz bailarina
dança no ar...

A vida não tem script,
só se vive vivendo...
Planos são linha de base,
rascunho,
pontilhados numa folha branca de papel.

Confia, se entrega pr'as águas
e deixa que elas levem e lavem
o que tiver de ali passar.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Poesia Póstuma

Se eu soubesse que a nuvem
era passageira
tinha dado carona sem medo nenhum

uma gota de chuva, uma gota de mar
bota um pouco de amor e deixa ferver
faz um chá pra essa dor
deixa ela passar...

Se eu soubesse que amor era um pássaro na janela
depois da chuva
e que ele anuncia sol e cheiro de mato
tinha deixado ele entrar pra cantar esse pio no meu
travesseiro muito antes...

deixava ele quentinho no meu ninho
pegava no violão
e acompanhava essa doce melodia do coração.

Se eu soubesse sonhar bem sonhado
tinha aberto os braços e me jogado nessa vida

ousadia

ousa noite
sonha dor
eu era um bobo palhaço amargo a desperdiçar o sopro
rodopio de encanto sobre camadas de pó.

Ah, essa chama que vem do céu
que me diz que são raios matutinos
a me saudar
abro minha janela e tomo o fôlego
do primeiro dia de alegria
que se inicia hoje, amanhã e depois e depois...
Num looping de infinitas possibilidades em cada a-cor-dar.

No clarear desse céu
no vento, esse véu,
quero te abraçar e brindar
essa presença de amor doce
no tempo eterno ao redor de nós.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Não há nada mais que me prenda a essa treva
Atingi o cume dessa montanha e contemplei ao redor
Escalei antes os montes e caminhei sobre as pedras
Transpus os muros - limites do meu ser - afrouxei
as fantasias, cosi em meus cabelos selos com novos votos:
Ser feliz - importa nada mais do que isso;
Viver com a alegria e a magia de um infante;
Amar como as águas amam o leito dos arroios...
Ir além a-mar...
Amaramim
Amarati
Amaravida
A maravilha de viver!