quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Eu expliquei pra minha criança interior
- aquela que com 12 anos disse à amiga
no pátio do colégio
que queria ser independente
e que aos 14 acordava entre 4h e 5h pra ir trabalhar - 
que as coisas nem sempre são fáceis.
Ao que ela me respondeu que
nem por isso devo esmorecer.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Das perspectivas da vida

Solta essa angústia do peito
Liberta!
Ela só quer voar...

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Senhora de mim

Eu estou aqui
Coberta de flor
Com meu colar de penas
Honrando minhas raízes
Nas mãos os fios que tecem os rumos da vida

Nessa teia noturna
As estrelas iluminam meu caminho
O tempo é meu amigo
E a noite meu campo de trabalho

Com doçura e paciência
Adentro o fundo do meu mar
Levo um ramo de cada erva
Que pode me ajudar

Nessas profundezas me recolho
Transmuto tudo com a delicadeza de uma borboleta
E na alquimia da consciência
Meus pensamentos são pássaros
Que voam em direção à lua - grande Mãe!
Que ilumina cada gota de orvalho
E conduz as águas do meu coração

Só teço sonhos e desejos
Pois a grande sábia é desperta em mim.

*Inspirado na pintura de Jo Jayson e nas canções que embalam meu coração nesses dias de inverno.


sábado, 3 de junho de 2017

Um instante já não mais é
De todo movimento
Brota o novo instante
Que também não mais é
E se foi
Nos resta apenas ser novo em folha
De novo e de novo e de novo

É impossível captar um instante
Conquanto sua essência permaneça em nossa memória
Assim como as notas de um perfume
Que ao sair pela boca do frasco
Jamais poderão ser engarrafadas novamente
Estando vivas d'algum modo misterioso
Porém acessível
Em nossas mentes
Ou como as fotografias que captam a imagem do momento e nos lembram do que sentimos, mas nunca nos permitirão reviver concretamente o próprio momento

Recriar os instantes
A partir dos distantes idos dias
Seria façanha de máquina do tempo

Todos sabemos o gosto que tem um limão
Ou um beijo
'Inda que os limões venham do mesmo limoeiro
E os beijos sejam da mesma boca
Nada pode ser tão igual que não seja novo.

Dito isso, a fugacidade do instante
É sua maior riqueza e
Reinventá-lo
Nosso maior desafio

Há coisa mais bela que a possibilidade de criar um novo instante?

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Foram muitas as vezes que morri
Morri demais, estive mortinha 
Sem dor, alegria ou esperança
Até ela morreu
Morreu comigo, abraçadinha
Debaixo do breu da noite
Do pó do tempo
Que me arrastou o corpo pelo asfalto sem dó

Não me tomou de assalto, essa morte 
Veio toda manhã, pôs o Sol,
Cobriu o céu de púrpura
Diante de minhas pupilas dilatadas

Morrer em vida dói
Agonia ácida que corrói

Morrer de dia
Sem renascer
Só morrer
Repetidas vezes, sem fim...

Essa morte ainda lateja nalgum lugar de mim
Ai! Só esperando meu lado de lodo e sangue escorrer pela vala do meu próprio esquecimento. 

Dorme esperando, Dona Morte...
Aqui só se vai o que precisa cair
Todo véu há de sair 

Renascendo, estou, em águas claras.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A rebeldia
- a princípio -
parece ser um movimento de resistência
contra a opressão. No entanto,
surfar essa onda pode nos afogar,
pois a indignação é uma coisa...
A rebeldia se pega no ódio,
na revolta
e agride, oprime também. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Da simplicidade da morte

A morte - acredito - é
um doce findar.

Muitas foram as vezes que
Me mataram
E
Em todas
Sofri
Renasci

quando a morte dói
É porque não acabou
Essa morte que faz sofrer
É, em verdade, um parto
Uma transfiguração da realidade
- que é impermanente -

Quando acaba,
Simplesmente flui
Num doce deixar ser
Humano 
Que qual planta ou animal
qual dia ou noite
deve em algum tempo cessar.

É um ciclo bonito, 
Ao qual todos os seres se entregam resignados,
Pois sabem ser parte da vida

apenas o ser humano busca
o artificial
E, portanto, crê ser a morte o fim
Uma taça de fel
Uma afronta de Deus.