quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Amor de Cabaret

Na taça
A marca de batom
Rouge
Pendendo da mão
Lânguida
Le-tárgica
- Desejo
Lancinante
Mão que toca a haste da taça
Como quem
Toca
Toca
Toca um corpo fulgurante
Doravante
Amor.
Um fio
Fiasco
Pedaço de papel
Embrulho de presente
Fita
Fita de cetim
Veludo carmim
Rouba um beijo e se vai
Minhas mãos estendidas
Palpando o ar
Vazias...

sábado, 5 de dezembro de 2009

Mais dia
Menos dia
Ela entenderia...

Trago longo
Fumaça espessa
Embalada por um jazz na vitrola
Ameaçava adormecer
Tranquila

Muito bom.
Os últimos dias
Foram repressores
O peito ainda conservava
A ferida aberta,
O veneno doce
Que ela carregava
Desde que se conhecia
Por... gente?

Qual nada!
Uma sonhadora-barata-de-botequim
Poetisa infame
Fraudando a vida
Num curso de jornalismo
Da melhor universidade
Fazendo artesanato pra ganhar um extra
E à noite brigando em casa.
Praxe.

Atormentada
Moça boa, mas
triste
Bonita,
Com um lado caído nessa vida
De blues-bar
Moça bossa nova,
Moça torta.

domingo, 15 de novembro de 2009

Ele olha pra ela
enquanto dirige e
diz uma frase sem sentido
Ela olha desconfiada.
"Nunca viu esse filme?"
Não. Ela não tinha
visto. E pensava que era
melhor ter ficado
em casa. Depois da
cerveja, a vontade
incontrolável de ir
a um banheiro. Maior
era o desejo de
dizer adeus. Mas
até que não foi tão
ruim. Se estivesse
em casa, seria pior.
Afinal,
"é bom até quando é ruim".

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pensamento
Pulsos elétricos
Impulsos
Melodramas caseiros
Amadores
Fraudulentos
Um amor em liquidação
Na rua Direita
Um grão de areia
Cisco no olho
Vão entre paralelepípedos
Amor em vão...
Amor vão
VÃO
Fenda no meio do meu peito
Espaços no meu coração.

domingo, 8 de novembro de 2009

Uma vida inteira
Fluindo pela gota
Pendurada na ponta
Do focinho
Medo.
Não tenha medo,
Meu amor!
Colo meu corpo contra o seu
Abraço forte
Dou-lhe um beijo
E ela é sedada
Responde ainda
Aos estímulos:
Ouve, entende, vê.
Sente o cheiro abafado
Da noite derradeira
Perde a consciência...
Sinto seu coração acelerando
E logo... não sinto mais nada.
Acabou o sofrimento,
Dela e meu
Acabou.
Resta o amor, a saudade.
Resta a paixão.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Parou! Com o cigarrinho
amigo, com o uisquinho
caubói. Quer fazer ioga.
Dar um trato
no corpinho, antes
dos trinta. Diz que
quer viajar. Morar no
interior. Na paaaz.
Ou se jogar nalgum
apê do centrão dessa
cidade... São Paulo...
Ô loucura! Ela mantém
essa relação de amor
e ódio com SP, sabe?
Vive solteira, mas
nunca sozinha. Vez ou
outra, encontra um ex.
Sai. Sente a vida
pulsando. Compra um
livro. Mesmo que tenha
inúmeros pra ler. É
vício. Consumismo
literário. Disso ela padece!
E de amor... Ama tudo e
todos. E quer morrer.
Depois passa. E recomeça.
Volta pro cigarrinho, pro
uisquinho, pro ex...
E diz que "é só
dessa vez".