sexta-feira, 31 de julho de 2015

Vem!
Com toda força da existência que te imprime.
Não precisa ter pressa, todo tempo cabe,
não há nada que impeça
esse florescer, esse ensolarar...

Escancara essa porta
o medo tem a forma que lhe conferimos;
nada é maior do que nossos devaneios,
o que pesa não pertence à minha mala.

E sobra essa coragem-menina,
cheia de compaixão e gratidão para semear
num quarto escuro e bolorento
as flores que hão de decorar meus caminhos.

Solta essa fita, dança bailarina!
Em mudras e véus de fumaça
O sândalo embala essa subida ao meu céu.

Eu sou aquilo que sou.
Eu sou tão só aquilo que eu penso que sou.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Apontamentos sobre a tristeza aguda

A vida é um paradoxo:
quando pensa que vive, está se perdendo na poeira do tempo
quando acha que morreu, um golpe de ar lhe açoita o peito
Tudo dói, mas não precisa ser assim
entre um e outro existe um vão
é preciso desacelerar para romper com as polaridades
e se descobrir parte de tudo.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Deixe que essa chuva limpe tudo:
a rua
o coração
a mente

Deixe que leve o que não serve
Deixe leve
Leve
Consigo essa canção das águas

Traz essa calma
- gota a gota -
que ao tocar o solo.
fomentará vida nova

segunda-feira, 29 de junho de 2015

1 minuto

O único destino em que
sem me mover chegarei:
meu centro.

Ah, mas quanta pressa tem alguém que nunca para
e passa a vida vendo a vida passar!

Shhh! Ouve...?
Do silêncio brota um som mudo
É o som que faz a flor ao desabrochar
É um eco no vão do tempo
Que retorna àquele que um dia o emitiu.

Esse ponto de equilíbrio
é uma harmonia indizível
- mesmo para os poetas...
Pois é preciso silenciar para vivenciar,
para viver!

E da superfície encrespada,
ondas revoltas,
Num mergulho se debate
Para em seguida se deixar afundar suavemente
Rumo ao fundo sereno e silencioso do oceano.

Um minuto de silêncio.

São como pílulas que tomamos
Para nos ajudar a vibrar na frequência de nosso ser.

Abençoa

Balança o maracá
pra balançar o coração

Deixa o vento passar
Enraíza na terra
Pr'ele não te levar

Solta esse canto pra voar
voz bailarina
dança no ar...

A vida não tem script,
só se vive vivendo...
Planos são linha de base,
rascunho,
pontilhados numa folha branca de papel.

Confia, se entrega pr'as águas
e deixa que elas levem e lavem
o que tiver de ali passar.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Poesia Póstuma

Se eu soubesse que a nuvem
era passageira
tinha dado carona sem medo nenhum

uma gota de chuva, uma gota de mar
bota um pouco de amor e deixa ferver
faz um chá pra essa dor
deixa ela passar...

Se eu soubesse que amor era um pássaro na janela
depois da chuva
e que ele anuncia sol e cheiro de mato
tinha deixado ele entrar pra cantar esse pio no meu
travesseiro muito antes...

deixava ele quentinho no meu ninho
pegava no violão
e acompanhava essa doce melodia do coração.

Se eu soubesse sonhar bem sonhado
tinha aberto os braços e me jogado nessa vida

ousadia

ousa noite
sonha dor
eu era um bobo palhaço amargo a desperdiçar o sopro
rodopio de encanto sobre camadas de pó.

Ah, essa chama que vem do céu
que me diz que são raios matutinos
a me saudar
abro minha janela e tomo o fôlego
do primeiro dia de alegria
que se inicia hoje, amanhã e depois e depois...
Num looping de infinitas possibilidades em cada a-cor-dar.

No clarear desse céu
no vento, esse véu,
quero te abraçar e brindar
essa presença de amor doce
no tempo eterno ao redor de nós.