sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Quando menina
Não caminhava,
Dava joelhadas nos dias.
Hoje
O coração mais surrado
Que o all star que calça os pés
Contra as pedras do asfalto
Cabelos molhados da chuva primaveril
Sinto que sou menina
Ainda assim felina
Foliã mulher
Mas quando seu olhar
Gruda no meu
Arranco minha fantasia de heroína
E aguardo o momento
De me aninhar nos braços seus.

É um suplício...

Estar com fome
Na rua
E ter oitenta centavos no bolso
Gastar cinquenta
Numa bala-de-goma-engana-quem?
Pegar ônibus lotado
Um trânsito chapado
E pensar
Que mais vazia que o estômago
Está a vida sem você
Mesmo com tudo atribulado.
O sonhos são como flor
De carne viva
Fervente e pulsante
São rosa-de-boca
A entontecer olhos famintos
E movem os mundos
São crédulos e fantásticos
Nos acordam pela manhã
Em busca de sua corporificação
Nos adormecem quando deita
O dia
No afã de nos alimentar
Para não se deixarem morrer.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Para Daniel Suh Castanha
Tento entender quais palavras
Devo dizer
Rola uma lágrima.
Deixo meus sentimentos revirados
Em cima da sua mesa
Ao sair
Falta a mim razão
- de certo -
Sou toda coração
Amor que perturba
Só me resta uma condição
Deixe eu te mostrar
As cores que vejo
Quando ao seu lado estou.
Há mais coisas misturadas
Ao ar
Que se possa imaginar
Jogo os dados
À espera de uma resposta específica
Ao passo que a vida
Gira como um furacão
Trazendo à poeira
Elementos diversos
Que os deuses trituram...
Mais uma vez jogo os dados
E a variedade de possibilidades
É indizível.


14 de julho de 2009.

domingo, 4 de outubro de 2009

A cada mordida
- Antes de ser açúcar -
Foi um beijo da tua boca
Uma lebrança doce
De teu olhar pousando no meu
Senti seu perfume
[eu juro!]
Senti seu abraço...
Em cada grama que consumi
Havia você
E haverá você na caixa toda!
Haverá você em cada traço de mel
E em cada braço de mar
Que eu caminhar
Aqui
E lá
Onde quer que eu vá
Posso te encontrar.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Dito isso
Bato em retirada
Ou,
Melhor ainda,
Saio à francesa...
Sem adeus, nem lágrimas
Ou lamento qualquer

Foi assim que combinamos
Assim permanecerá.
Poço de ternura
Como quadro na parede
Caiada de memórias bonitas
Flores secas em páginas amareladas
Tudo que restou de sólido
Daquele amor arredio, doce e secreto.