quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cidade eloquente
Faceira
A um só tempo Mãe,
Porém assassina
Dos amores de seus filhos
Causadora de paixões
Lancinantes
Faz dos dias iguais
Sem medir a diferença
Das tristezas e alegrias
Tem pressa
Muita pressa!
E recusa a letargia...

Eu cá, a devanear uma calmaria longínqua,
Dou graças pela descoberta d'água
Em Marte e na Lua.
Você me inspira tudo-de-bom
Lança cores e alegrias
Sobre as cinzas encrustadas
Nas paredes da vida
Faz sentir prazer
Até quando amarro os cadarços
Ou fito a confusão
Dessa cidade maluca.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Andei entre os vales
As pernas e amores
Da sua loucura
Matei o fulgor
Com um jazz na vitrola
Improvisando minha vida
Improvisando minha morte
Para o renascimento Fênix

Dormi a vida inteira
Agora eu solto a arma
Que causou meu desespero
E agradeço as folhas verdes em meu jardim.

Sem bolas e correntes em meus tornozelos,
Caminho pelos vales com você.
Eu vi a aurora
Àquela manhã fria
Tardia talvez
Mas não trocaria a noite precedente
Que abriu caminhos aos teus ouvidos
Não poderia recusar
Um sol mais bonito
À beira da calçada,
Na rua Alvorada
Naquele ano agitado

Eu vi o dia chegar
Num sorriso calmo e maroto
Tal a criança que nos habitou
Quando éramos nós.
Meu braço dá espaço
Ao olhar que pende
Da fenda colorida dos teus olhos
Aberto e distraído
Como abraço definido e calado
A alcançar o semi-serrado sonho castanho
Que outrora pousou em minha tez

Foi num baile
Numa noite
Onde a vida embalava
Os corações e mentes
O alinhamento universal
De duas almas
Dois corpos no fundo dos dias

Das infindáveis horas
A espera e o apego
Ao sabor dos desejos
De partida a uma vinda.