quarta-feira, 15 de julho de 2009

Poesia também é hábito:
Você não deve conter a poesia.
É como água que atravessa pelas fendas
Não dá para controlar a intensidade,
Imprime pelas mãos que escrevem
Devasta com a língua que desfere.
Tem poesias que você vai ler
E não vai compreender
Porque não está pronto para entender
Ou porque não se afina com sua sintonia
Você pode achar horrível,
Até mesmo ininteligível,
Mas é poesia para alguém...
Eu escrevo e só
Não é para mim ou para os outros,
Não é pensando em algo específico
Escrever para mim é mais que lançar palavras
Numa folha branca
Ou construir uma melodiosa poesia,
Eu escrevo
E só.

Tudo é passível de se poemar
Porque tudo é poesia.
Às vezes eu escolho as palavras,
Mas na maioria das vezes
Elas me escolhem...
Talvez seja isso que falte em minha vida:
Que as respostas venham até mim
Espontâneamente...
A verdade não está naquilo que aponto
Ou no que meus olhos vêem;
Miragem.
E dessa forma,
Essa poesia só acaba
Quando termina a minha vida.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Hoje eu sangrei uma veia
- Como há muito não sangrava -
E dela deixei verter as palavras contidas
Arredias e tristonhas...
Espremi o corte diagonal
E o que gotejava
Era o veneno sufocante da dor
Angústia venosa
Natimorta na noite preta e medonha

Do pincel uma lágrima
Uma forma, um sussuro
A cinza espalhada pelo cigarro
Do desespero...

Vastidão.
Um mundo imenso e gélido
Oco.
Indiferenças ambulantes,
Cadáveres a andar.
E a brutalidade logo ali,
Na esquina:
Quando o vidro fumê divide um mundo
Do outro
Quando a busca pelo seleto se torna tão fundamental
Que espaços fechados e refrigerados
Tornam o contato glacial.
Ausência de humanidade.