terça-feira, 17 de março de 2009

Você
Quando cruza meu olhar
Desconfiado
E sabota o comprimento
Do meu vestido
- esperando aprovação -
Não tem noção de perigo
Não mede a emoção
Compra meus motivos
Na sala escura
Como o café daquela manhã
Enfeita essas noites
Com dois girassóis
Amanhece enrolado
Em meus lençóis
E se deixa ficar
Pousado em minha vida
Suave e cauteloso
Sobre o possível amor.

domingo, 15 de março de 2009

Há nenhuma
Ou quase pouca
Genealidade
Nessa minha poesia
Umas contas de letras
Rasuradas no papel
Um pássaro de asa quebrada
Violão de uma corda só
E desde a partida
Nada foi como antes
Nem tão dolorida
Nem tão gigante
Essa minha romaria
Nem tão santa
Eu diria.
Eu quero arrancar a sua pele
E me enfiar nas fibras da carne
Eu quero sentir a loucura
Do seu sangue
E latejar nas suas veias
Abraçar o seu corpo
E me deitar debaixo dele
Dormir com sua voz
Me contando uma novidade antiga
Quero fazer parte da sua vida
Como pão integral e café barato de hotel
Pela manhã
Ser a sua cortesia
Sua poesia
Revolver a terra das suas entranhas
E devorar a rotina sua de cada dia
Eu quero a sua pura alegria
Te dar toda alegoria
O mais profundo de mim,
O mEU.

sábado, 14 de março de 2009

Me & Mr. Jones - "Do me good and all this craziness will disappear"

Qualquer coisa agora
Pode mergulhar no copo fundo
Do desespero
Que eu não vou mover um dedo
Qualquer coisa negra
Qualquer anjo caído
Ou um beijo de pó,
Eu não vou resgatar.

Tenho meu tempo
Certo em gotas
Para dormir à noite
Sua boca no meu ouvido.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Deja vú
Sem explicação.
Um copo com muito gelo
E pouca água
Mais uma rodela de limão
Para pensar na causa
Desse infortúnio
Minhocas na cabeça
E a mesma insônia
Sórdida de sempre.
De novo:
Por quê?
Certo que chega
Mais próximo
Que possa suportar,
Mas não suporta muito...
Frágil, arredio
Fareja os arredores
Sem saber o que procura
Verdadeiramente
Tem medo de olhar-se
No espelho
E se enxergar como
De fato é,
Como eu vi;
Aprisiona um orgulho
Abundante
E mal sabe
Que este é veneno,
Sobe à garganta e mata;
Eu sei.
Não tenha medo,
Nem vergonha,
Não se engane,
Nem perca a chance de superar
Seus limites
Minhas duas mãos continuam esticadas
- mesmo que tristes e trêmulas pelas circunstâncias -
E elas ainda estão quentes.