domingo, 28 de dezembro de 2008

Vidrados olhos pra refletir
O cenário alaranjado
Do ocaso
Que determinou
Quão sem ti
A noite ficou
Ser espelhos pra confundir
O espaço do amanhã
Quando do despertar
Sacar a dor
De ir sem partir de mim
E do seu sorriso
Prender a melhor parte
Entre os dentes
Pra sorrir a nostalgia
De um dia cor romã
Preso ao fino da pele
Da maçã
Donde pende um olhar
Pro horizonte
Além mar.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Solto os laços das máscaras
Quais usei nos dias cinzentos
Encaro a luz
Numa fotofobia delirante
Tal boneca cintilante
Ou palhaço sem platéia
Corro os dedos
Por número qualquer
D'agenda eletrônica
À procura de uma noite
Itinerante
No estilo poésie noir;
Poesia crua,
Carne-sangue-nua
Algo que saque deste corpo
Vazio e inóspito
A solidão
E a sombra
Que paira no músculo mole
Socando o peito.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Eu ainda sinto sua falta
Mesmo quando acabamos
De nos despedir
Ou quando está aqui comigo
Sinto a brisa da nostalgia
Que penetra meu quarto
Pela janela
Enquanto vou tecendo palavras
Em meio aos barbantes da expectativa
Meu anseio por cigarros e bebidas
Só eleva
A'lma à perdição
De noites brancas
No quadrado apertado e tranquilo.
Você truncou todos os sinais.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Num esforço lento e majestoso
Eu espero o tempo calar
Pra ouvir seu coração
Devagar sussurrar
O que o amor bandido saqueou:
Nosso momento
Num pátio de shopping,
Numa mesa de bar,
Ou na noite em que estraguei tudo,
Pra variar.
Eu esqueço seus insultos,
Você perdoa meu cinismo
E fica tudo bem novamente.
O que eu quero mesmo
É você de vez.
Sempre uma música triste
Para embalar
A saudade que você deixa
Quando me esquece
Sempre um compasso truncado
Uma batida descompassada
Por um coração desritmado;
Mais frio e amargo que café
Você me deixa do lado de fora
Esperando no inverno da sua vida
Na soleira do seu amor...
Onde, quando faz sol, acalma
E quando chove, goteja minha dor.
Porque você faz assim?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Waiting, como ele disse,
Por um milagre
Ou uma chuva de verão
O trem se vai
E não há nenhuma promessa
Acenando na plataforma
Dos Goodbyes
Restou apenas uma mentira fosca
Um sorriso triste de clown
E umas lembranças doloridas.
Respirar
Um ar que vem de longe
Talvez do outro extremo da cidade,
Do seu apartamento,
É cada vez mais difícil
Andar nessas ruas cinzentas,
Os fones no talo
Como extensão do desespero
Matinal
Por ainda estar viva
Whitout your face.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

No mar crespo azul-celeste
Exibi minhas escamas multicoloridas
Pra te ver nadar
Até a ponta da ilha
E em meus cabelos enroscar
Sua loucura perdida

Imprimo minha boca na sua
Pra te ouvir sussurrar baixinho
Desloco uma nuvem no céu
Aconteço tempestades
Até que morra em meus braços
Numa vaga de mar

Sob a sombra do meu olhar
Viajou seu pensamento
Mal podia sentir as bolhas
Àquele inócuo momento
Veio a onda te levou
E eu nua ao vento.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Os dias saem correndo
Mas são cíclicos.
O poeta que me escreveu
Diz que sou rima imperfeita
Quer as estrofes ordenadas,
Mas não parece ligar para a beleza
E a tristeza deveras perfeitas
Que carrego além dos sons
Sinto o gelo no peito
Quando da primeira vaga do mar
Que rebenta
E deixa inerte o corpo;
As noite parecem cenas de cinema
E se desfazem como açúcar na língua,
Prometem mais que o sonhar oferece
Traem os dias, que correm
Para não mais voltar.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Quando o sério se torna ridículo
Quando o incerto é mais seguro
E as certezas não passam de palavras sem sentido
Pisar em areia movediça, afundar
E chegar do outro lado só com o nariz pra fora
É uma arte
Porque nada do que vejo parece certo?
Porque a janela fecha quando o sol nasce
E meus dias se configuram noite?
Não compreendo.
As articulações doem, a coluna dói,
Outras coisas doem mais
E os sons que ouvi eram éter
As imagens que recebi eram éter
As promessas de açúcar
Os olhos, verdadeiros olhos-mágicos
- Sempre ocultando algo ao redor.
Não é de papel esse corpo,
É de sangue negro
E jorra para baixo da cama
Porque alguém abalou a quietude do quarto.