segunda-feira, 21 de julho de 2008

Tormento,
Meu caminho
Nas agruras do Amor
Debati o pensamento
Escapou-me Dostoiévski
Por um breve momento.

(devolva meu livrooo)
Silêncio
Mudez da língua,
Do corpo
Tem algo dentro de mim
Que grita, grita,
Projeta um tão violento
Eco
No vazio boçal;
Passo as noites insone
Esfregando o sangue que espirra
Nos ladrilhos d'alma.

sábado, 19 de julho de 2008

Tem meio de tarde insuportável
Que dói-me o estômago
E o coração
Tem noites delirantes
Que quase digo que te quero
Ma as manhãs clareiam
A cabeça,
Acalmam a angústia
E a saudade;
Só a palavra se debate
Grudada no esôfago
Arranhando qual gato
num ardente desejo de emergir
Na saliva.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Meu tempo se desfaz
Em camadas
Como pele dilacerada
Que exibe suas pétalas,
Se esvai no que há
De mais frágil no oceano
Espuma fina como renda
Véu que levanta
Para a luz penetrar
Nessa escuridão
Junto às águas-vivas
E oceânides
Que dançam num movimento
Perpétuo.

sábado, 12 de julho de 2008

Coração aos saltos
Quando Yellow Ledbetter
Tocou
Tecendo um cachecol
Como quem tece as lembranças
Dos anos que desenrolaram
Desde o lançamento de Lost Dogs
Me veio toda dor
Da época em que os calmantes
Já não mais efeito faziam;
Tempos em que éramos felizes,
Apesar do sofrimento inflamado,
E não sabíamos...
Ou como diziam os poetas:
"Mesmo a tristeza da gente
Era mais bela..."
Está feito.
Os sons debaixo d'água
Parecem lentos e languidos
Ou o cérebro dopado
Por dor ou comprimido qualquer
Vertiginoso, adormece
O dia segue e o corpo
Impelido pela inércia
Fica num outro canto;
Mas não está lá, na frente
Da tela.

Lounge

Tudo que eu preciso
É de tempo
Tudo que eu preciso
É limpar a mente
Porque eu não consigo
Celebrar a vida
Com as gotas de sangue
Dos dedos que quebrei
Os vidros embaçados
D'alma.
Acredite,
Eu nunca pensei
Que pudesse ter isso
Num arquivo tão
Secreto
Não consegui sentir
A alta freqüência
Que dispara a mente
E o coração ao mesmo
Tempo
Só um calor no peito
Uma sensação de aconchego
E reminiscências da noite passada
Enquanto Clapton tocava um blues
Como quando estávamos lá,
No alvorecer costumeiro...
Será que você tem?
Tem algo pesado em mim
Que resvala pra poesia
Um certo cisco
Um lesto incômodo;
Vai tão ígnea e zombeteira
Alma contra a vida
Qual macaréu
Que devasta as bordas
De onde passa
Largando um laivo
Nas bocas
Dos beijos que deixou
Nos corpos que arruinou...
E eu não sei que é que pendura
Nas palavras
E as torna tão carregadas
Assim de sal.
Tão gostoso rir com você
Cruzar o olhar entre
Um chopp e outro
Com a boca cheia de melodias
Sentir que lá se foi
Mais um dia
E o momento não passou.