quarta-feira, 30 de abril de 2008

Sem medos
Sem dramas
Nem tramas
Mando recados
Qual será o desfecho?
Escolho o enredo
Salpico com palavras
Tudo que quero buscar
Deixo os dedos gritando
A cabeça a voar

Você quem dirá.
Ela brinca com letras
Acha que pode poemar
Mas não tem sequer
A dor
Que a palavra quer
Berrar
Fundo vazio
De copo sujo
Poema torpe
Autor vulgar

Porque quem nasce poetisa
Não faz força pra brilhar.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Fim de tarde
Na Sampa
De todos os santos
Foi São Jorge na virada
Alegria enlatada
Dispersão em fumaça
Desce a Augusta
E eu te espero na Roosevelt
Fuga ao centro
Dos paulistas
É São João, a avenida
Gente doida
Dança, pula
Cantam os pés
Nas praças imundas
Da diversidade
Diversão na cidade.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Eu mal olho para dentro
Me ocupo com o tempo
Que como areia corre
E discorre
Em palavras sonolentas
Contra tormentas
Veneno antimonotonia
Meu momento
Letargia
Um taça pra ancorar
Todo sentimento
Toda ironia
Não pensar no que ia
Caso fosse um dia.

domingo, 20 de abril de 2008

Miragens para acalmar
O que o sangue e as lágrimas
Não diluem
A voz no ouvido
E todo o rito
Lembra?
Você emergia.
Resquícios nas reentrâncias
Das verdades e perfeições
Toxinas e efervescências
Galopantes no líquido rubro
Monocromatismos
Abismos
Linhas de trens tortas
E um suspirante delírio
Tão errante, o pobre...
Divergências pagas
Com o próprio suor
Discrepâncias notívagas
Desolação
Retinas descoladas
Para não enxergar
A sala vazia
A boca seca
O grito rouco e surdo
Relutante
Não podendo acreditar.

domingo, 13 de abril de 2008

Não ouço mais
Os botões de ébano
Que piscam sutis
Não creio
Na voz que berra
Boca pouca
Para tantas verdades
Alma infanta
Para tantas maldades
Não risco mais os nomes
Da agenda
Apago os dias num clichê
Desconstruo o que foi
O melhor, o derradeiro
Tudo que há
De mais fuleiro
Não me prendo
À peças de dias
Corriqueiros
Ando à noite
Com a bolsa
Eu carrego uns segredos.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

É outono - no início,
A mais bela fria estação
Folhas ainda suspensas
Espatódeas fazendo inveja
No alto das copas
Laranja menina
Olhando o céu esbranquiçado
Da nostalgia impulsiva
A vida correndo por avenidas
As plantas implorando
Para alargar a vida
Para a dimensão do asfalto
Nascer, crescer, viver...
Deixar o corpo,
Num movimento lúdico,
Atirar-se
Nessa rede flácida
Afundar e emergir
Chupar os dias
Como balas de hortelã.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Sei que sente falta
Do abraço,
Do corpo nu
Da voz no ouvido...
Sei que ninguém
Pode penetrar
Os olhos
Daquela forma
Com a boca
No pescoço
E o encaixe perfeito
Nega!
Diz que foi mentira
Que nada foi
E nunca disparou
Seu coração
Tutu-tutu
Era assim
E não mente pra mim
Pode acreditar
Em você mesmo?
O sangue ferve
Sobe aos lábios
Até corar
Suspiro longo
Escapa do peito
Ao recordar
Enquanto a dor
Repousa na demência
O amor
Expulsa a dormência
Resolve se mudar
Quem sabe outro ar...
Pro desconforto, morfina
- a cafeína -
Pra sobreviver,
Poesia
A que imprime
Sem vergonha
A falta daquele
Olhar,
Do corpo nu
Junto ao meu,
E um número antigo
Pra discar.