sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Eu gosto quando chove
Gosto do modo como levo a vida
Gosto de olhar pra você
Gosto quando me olha
Gosto do jeito que me olha
E sinto seus olhos pousando em mim, a todo momento
Gosto da boca
Gosto do gesto
Gosto do gosto, que ainda nem provei
Caio por aí, em qualquer calçada
Arrasto minha carcaça pelo asfalto
Ilusões são tão doces...
O amanhã é que dirá...

domingo, 18 de novembro de 2007

Manhã clara de novembro
A paz dorme ao lado
Vejo suas cores
Tão de perto
Vejo os poros
Explodindo de calor
Olhos que grudam em mim
Corpo que vive no meu
Pequeninos movimentos
De pupilas febris
Revelando sensações
E gemidos inaudíveis
Dissolvendo sob os lençóis
A melhor freqüência
A melhor conexão
Em ondas infinitas
Em braços e abraços
Meus laços...

em sua boca
moram meus beijos
o ninho mais que perfeito.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Aqui
só viagens
de um coração
errante

pelas águas
turbulentas
da vida

as manchas
mais difíceis
já limpei
com desinfetante.

sábado, 10 de novembro de 2007

Eu ali, cara pálida,
Boneca de cera
O amor parado fitando o lago
Águas calmas, tom primaveril
Não havia notado
Em toda minha mediocridade
Que olhar, ele olhava,
E admirava
O meu reflexo
Na beira da loucura
Sentado na grama molhada
Regado de chuva


o reflexo imóvel
o coração socando o peito...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Ninguém pode ver
O desespero constante
Ninguém consegue entender
Esse temor asfixiante
Escondo minhas dores
No cansaço do dia
Costuro uma boca
Que ofereça alegria

Mantenho as máscaras
De forma cômoda
Para que não me alucinem
Esses pobres espectros...
Entre soluços e porquês
Encaro cruas verdades
Não tenho tempo para viver
Mas preciso estampar
Meus retratos falidos
Deixar esse fluxo
Correr pelos dedos;
Cura dos meus medos...
Socorro gritado
Onde não há
Seres constantes
Por que será?
Eu vejo a chama
De uma vela chorada
Eu sinto o drama
Da velha que chora
Tantos copos de certeza
Perdidos em bocas
Com seus dentes trituradores
Quantos grãos amargos mastigados?
Mãos dadas com o incerto
Olhares travados erroneamente
Socorro berrado
Onde não há
Seres cortantes
Quem viverá?


Quem suportará?

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Joguei meus demônios
Numa tela lúcida
Numa seda vermelho-sangue
Beijei a flor lânguida
Da sedução
Me lancei na poesia
De jardins deflorados
De pecados alugados
Venenos proibidos...
Descanso a calma encomendada
Em bancos de praça
Uma raspa de alma
No fundo do tacho sujo

Já é manhã
Quando a solidão curtida
Se esquiva
E se deixa ficar
Na borra de café
No mais, continuo a pé.
Ele ri de longe
O trem vai passando
Nem bateu a saudade
Celular já tocando
É o amor do outro lado
A voz falhando
Manda beijo,
Diz estar apaixonado
Eu estou amando...
Ele olha e procura
Um porto aconchegante
Eu enxergo no fundo
Que não é itinerante
Mas se for passageiro
Que seja fascinante
Onde em cada momento
Haja delírio constante.
A chuva lá fora
Lava meus pensamentos
Do mau de outrora
Alma cava passagens
Para novos firmamentos
Não há senso preciso
Não há fórmula secreta
Só uma gana de seguir
Seguir e seguir
Até o vale que repousa
Todo amor que desejei.
Deixei na mesa
O copo d'água
Deixei também a fé...
Atrás da porta
Até parece apanhador
De borboletas
Mas é coador de café
Quando acordar
Basta adoçar com mel
Alimentar os desejos
Que alma transborda;
Lá no pote tem biscoito
E tudo mais que importa...